História e Patrimônio | Geoparque “Terra de Gigantes” – Pilar Científico, Ambiental e Histórico de Uberaba

O Geoparque Uberaba – Terra de Gigantes simboliza um marco para a geociência nacional. Reconhecido pela UNESCO em 27 de março de 2024 como o primeiro Geoparque Mundial do Sudeste e sexto do Brasil, abrange 4 523 km² — área equivalente a algumas unidades europeias de referência — e reúne seis geossítios de suma relevância geológica, além de dois museus.

 


Visão científica consolidada
Desde as primeiras escavações sistemáticas na região da Caieira na década de 1940, foram catalogados mais de 10 000 fósseis do Cretáceo Superior, incluindo dinossauros, crocodyliformes, tartarugas e moluscos. Destaque para o Uberabatitan ribeiroi, o maior dinossauro já encontrado no Brasil — com até 27 m de comprimento e 14 m de altura — marco que fortalece a relevância paleontológica local.

 

Base ambiental e geológica estratégica
O geoparque destaca formações vulcânicas da Serra Geral, que registram eventos do supercontinente Gondwana, além de importantes aquíferos como a Formação Botucatu, nomeada a partir do tupi “água clara”. Esses elementos comprovam a importância do território como laboratório a céu aberto.

 

Além da geociência: patrimônio cultural e educativo
O projeto integra-se também a valores históricos e culturais, valorizando o legado de Chico Xavier e o protagonismo agropecuário de Uberaba como capital mundial do Zebu. As iniciativas de geoconservação estão amparadas por leis federais (SNUC), e envolvem instituições locais como Prefeitura, UFTM, ABCZ e Sebrae.

 

Impacto socioeconômico e educacional
Destinado a promover turismo sustentável, o geoparque entrou para a rede da, agora, 213 unidades da UNESCO, fomentando a economia local e a conservação do patrimônio. Um estudo da UFTM indicou que 75% dos professores de Uberaba conhecem o projeto e mais de 55% percebem impacto educacional positivo, sobretudo em geoconservação e educação ambiental.

 

Desafios pendentes e visão crítica
A chancela UNESCO confere visibilidade internacional, mas não elimina obstáculos. É urgente implementar planos de georreserva, infraestrutura robusta, capacitação local e políticas de conservação sérias . O regramento de territórios ainda em avaliação poderá colocar em risco sítios paleontológicos sensíveis.

 

Tese defendida: o Geoparque “Terra de Gigantes” tem o potencial de ser o alicerce de um turismo científico diferenciado, capaz de articular ciência, cultura, educação, economia e sustentabilidade. Porém, precisa transcender o simbolismo: assumir-se como um projeto institucionalizado, contínuo e integrado, com governança articulada, investimento responsável e engajamento comunitário.

 

Uberaba tem um patrimônio único — e o desafio agora é transformá-lo em legado perene, compatível com os padrões do Sistema de Geoparques Globais da UNESCO.

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