Cultura e Eventos | Ritmos de Uberaba: Cultura Sonora como Identidade e Pacto Comunitário

Uberaba possui uma riqueza cultural sonora que vai além do forró genérico — ainda que este esteja presente nas festas juninas locais. Sua identidade musical nasce de manifestações folclóricas genuínas, reflexos vivos da história rural, da diversidade étnica e da sociabilidade sertaneja.




Catira: dança, canto e pertença comunitária
A Catira — ritmo e dança caipira nascido no interior — tem raízes profundas em Uberaba. Presente desde o início do século XX, ela é ritual de valorização da memória rural. O estudo “Catira de Uberaba: sociabilidade, diversão e cultura popular no mundo rural” descreve como essa dança, marcada por palmas, batidas de pé e modas de viola, construiu identidade coletiva e fortaleceu os laços comunitários. Reconhecida como patrimônio imaterial, a Catira não é mero espetáculo: é educação cultural, ressignificação da vida no campo que sobrevive ao processo de urbanização.

 

Congadas, Moçambiques e Afoxés: ancestralidade negra viva
Outra expressão da cultura local são as manifestações afro-brasileiras — Congadas, Moçambiques e Afoxés — que há mais de 130 anos percorreram as ruas de Uberaba em festas de coroação e celebrações religiosas. Esses ritmos, registrados como patrimônio municipal, atestam a presença e resistência da cultura negra, conferindo à cidade uma herança simbólica marcada pela fé, arte e ancestralidade.

 

Forró e Circuitos culturais: diversidade sonora contemporânea
Embora o forró seja ritmo nacionalmente difundido, em Uberaba ele ganha força em eventos locais como o “Ritmo Brasileiro”, parte do Circuito Cultural, que destaca artistas regionais e integra música, dança e teatro. A participação ativa de bandas e violeiros mantém vivas formas sonoras tradicionais, renovadas em palcos urbanos e culturais.

 

A crítica:
A diversidade rítmica de Uberaba — que junta Catira, manifestações afro-brasileiras e forró local — constitui uma matriz cultural própria que precisa ser apropriadamente valorizada. Para que a identidade sonora se torne patrimônio e motor de desenvolvimento cultural, é necessário consolidar políticas municipais:

1.     Registro ativo e inventário dos ritmos tradicionais — formalização do Catira e congadas nos roteiros culturais;

2.     Incentivo à formação contínua — oficinas de dança, viola e percussão negra para jovens e educadores;

3.     Inserção em circuitos turísticos — criação de roteiros temáticos de experiência musical e cultural.

 

Dados apontam: investindo em cultura e turismo cultural, cidades do interior mineiro ampliam fluxo turístico em até 20% (Secretaria de Turismo de MG, 2023). Em Uberaba, onde o ritmo pulsa nas ruas e nas comunidades, esse potencial pode se tornar um diferencial competitivo — desde que se crie uma estratégia coerente e sustentável.

 

Em resumo, a cultura sonora de Uberaba é ativo vivo — e merece ser tratada com o rigor de quem entende que música e dança são parte essencial da identidade urbana e coletiva. Estruturá-la é defender uma cidade que não se reduz à geologia ou ao agronegócio: é cidade de ritmo, memória e cultura.

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