Uberaba não é apenas geologia, agronegócio ou religiosidade. Sua moda carrega história, criatividade e potencial econômico. Ainda que não exista “rota típica” consolidada como em capitais, a cidade é berço de talentos — como o estilista Markito (Marcus Vinícius Resende Gonçalves), nascido em Uberaba em 1952. Pioneiro do glamour brasileiro nos anos 1970, Markito criou moda plumas e paetês, vestindo estrelas como Xuxa e Diana Ross. Mesmo após sua morte em 1983, seu legado sobrevive por meio de um museu mantido por sua irmã localmente.
Hoje, o mercado de
vestuário uberabense é composto majoritariamente por micro e pequenas empresas,
como “By Fit Uberaba”, “Breck Modas”, “A Loka” e “Moda Maior”, que atendem
nichos diversos — fitness, moda plus size, maternidade — e consolidam um polo
de varejo local ativo . A
Feira de Malhas de Uberaba, embora pouco documentada, mostra que há cultura de
produção regional associada ao vestuário de moda casual e sazonal
.
Ideia:
Uberaba tem potencial para transformar seu mercado de vestuário em um ativo
cultural e econômico. Para isso, necessita unir tradição e inovação, criando
identidade própria, e não apenas replicar tendências de centros maiores.
Fatos que reforçam essa tese:
1.
Herança criativa – o
destaque nacional de Markito mostra que a cidade possui vocação para a moda com
personalidade. É preciso resgatar essa história e transformá-la em narrativa e
inspiração contemporânea.
2.
Mercado diversificado –
pequenas marcas locais atendem nichos com dedicação, provando que há demanda e
capacidade produtiva. O faturamento estimado nesses segmentos, embora restrito,
pode crescer com apoio institucional.
3.
Obstáculos a superar –
Uberaba carece de projetos de certificação regional (como “Moda de Uberaba” ou
selo de design), feiras temáticas ou incubadoras. Sem esses instrumentos, as
marcas locais permanecem no varejo tradicional, com baixa visibilidade além de
Minas.
4.
Oportunidades claras –
eventos como a ExpoZebu, o Geoparque e as feiras populares atraem visitantes e
podem ser usados como palcos para mostrar moda local: desfiles, bazares
temáticos, coleções inspiradas na cidade.
Para transformar potencial em resultado é
essencial:
·
Criar uma Marca-Coletiva Urbana
(ex: “Feito em Uberaba”) com certificação de origem, valorizando design,
sustentabilidade e fabricação local.
·
Estruturar uma Semana de Moda Regional,
com desfiles, workshops e prêmios para jovens estilistas.
·
Integrar moda nos roteiros turísticos: mixar
feira de arte, gastronomia e moda local, exibindo valor cultural e econômico.
Estudos regionais apontam que polos de moda em
cidades de médio porte geram aumento de até 15% no faturamento do comércio de
vestuário e fortalecem marcas locais. Uberaba reúne ingredientes – história,
mercado ativo e identidade – necessários para seguir esse caminho. A cidade
poderia, assim, deixar de ser apenas consumidora de moda e se tornar produtora
de significado.

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