Geopark Uberaba | Museu dos Dinossauros de Peirópolis – A Atração que Faz Uberaba Única

 

Uberaba construiu sua singularidade turística no tronco robusto da paleontologia. No distrito rural de Peirópolis, o Museu dos Dinossauros, parte integrante do Complexo Cultural e Científico de Peirópolis (CCCP/UFTM), destaca-se como verdadeiro epicentro do legado fóssil brasileiro. Há quase três décadas, o centro preserva e exibe vestígios autóctones datados entre 80 e 66 milhões de anos — conforme estudos da UFTM e registros da UNESCO — revelando um patrimônio científico de alcance internacional.

 


O acervo abriga cerca de 4 mil exemplares coletados desde 1945, dentre dinossauros carnívoros e herbívoros, tartarugas, crocodilomorfos, anfíbios, peixes, aves e até preguiça gigante do Pleistoceno, os achados, o impressionante Uberabatitan ribeiroi — titã de mais de 26 m — e o crocodilomorfo Uberabasuchus terrificus, com cerca de 80% de esqueleto preservado, se tornam símbolos de uma paleobiodiversidade singular.

 

A proposta museológica é também pedagógica e acessível. São três espaços expositivos — um a céu aberto no antigo ramal ferroviário, um no prédio da estação restaurada e outro no hall do CCCP — reforçados por mediadores formados e recentes avanços em acessibilidade, incluindo Libras e audiodescrição.

 

O museu atrai, em média, 60‑100 mil visitantes anuais, provenientes de mais de 1.300 municípios e cerca de 70 países. Tais números não apenas atestam seu apelo científico e turístico, mas também sustentam a tese de que o geoturismo é vetor de desenvolvimento local. Conforme estudos da FAPEMIG, CNPq e outros, o acúmulo de fósseis e a infraestrutura do CCCP têm gerado empregos, incentivado pesquisas (mais de 200 publicações e diversas teses) e consolidado Peirópolis como motor socioeconômico regional.

 

Contudo, ainda há desafios estruturais. A conservação do acervo depende de investimento contínuo e protocolos robustos de geoproteger. A ampliação do protagonismo local requer integração constante com políticas públicas, capacitação e diversificação dos produtos turísticos. O Geoparque Mundial da UNESCO, conquistado por Uberaba em março de 2024, cria um respaldo simbólico potente — mas cabe à cidade transformar este reconhecimento em legado tangível.

 

Em síntese, o Museu dos Dinossauros representa mais do que uma atração turística: é evidência viva de que ciência e cultura podem convergir para fortalecer identidade, economia e sustentabilidade. Em cada fóssil, réplica ou trilha a céu aberto, parece ecoar uma mensagem clara: Uberaba poderia, sim, ser muito mais do que "terra de gigantes" no passado — pode ser também símbolo de futuro para o turismo científico brasileiro.

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